Holocracia: Como Funciona uma Empresa Sem Chefe

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Holocracia: como funciona esse sistema sem chefe na empresa e quais as vantagens e desvantagens

Uma empresa sem gestores parece ser uma utopia, não é mesmo? Mas diversas empresas no mercado têm optado por esse sistema. A Laços Corporativos te explica como funciona a holocracia e quais são os benefícios (ou não) desta nova forma de gestão.

Como funciona a holocracia

1) Xô hierarquia

A holocracia bate o pé ao se livrar de papéis de gestores tradicionais e cargos. Assim, busca eliminar a hierarquização e tem a inovação como seu principal combustível.

Diferente do que muitos julgam, essa forma de gestão de empresas não é uma anarquia.

2) Conectores

Quando pensamos em hierarquia, logo vem à mente uma pirâmide: ao topo, o CEO da empresa; abaixo, diretores; depois, gestores de departamentos; e assim sucessivamente.

Essa estrutura é substituída por círculos dedicados a funções. Os círculos são as antigas equipes de trabalho. Cada um dos círculos tem os chamados, por exemplo, de “conectores” – como gestores, eles são responsáveis por atribuir trabalhos e ver o que vem sendo feito.

Porém: não determinam como o trabalho será executado e não podem restringir um dos membros do círculo a não fazer parte de outro círculo.

3) Total transparência

Aliás, Tony Hsieh, CEO da Zappos, implantou a holocracia para o que ele chama de “transparência radical”.

Para ele, a holocracia não deve ter um sistema burocrático para transmitir informações pelos colaboradores e conectores. Assim, todo mundo precisa conversar a todo momento e saber o que está acontecendo na empresa. Todos são responsáveis por todo andamento do negócio.

Para que você entenda um pouco melhor sobre a aplicação da holocracia na prática, olhe só esses cases abaixo de empresas que aplicam o sistema “sem chefe” e veja como funciona:

Zappos

Loja virtual de sapatos e roupas comprada pela famosa Amazon, a Zappos caiu na mídia por aderir à holocracia. Portanto, ao falar desse termo é impossível não o associar à empresa – ainda mais com seus mais de 500 círculos de funções.

Vantagens da holocracia da Zappos

Ênfase sobre os funcionários

Em um ambiente que mescla circo, regalias, conforto, terapia e diversos eventos, a empresa tem um foco intenso em criar uma cultura que abraça as ideias de todos os indivíduos que estão ali.

Isso tem tornado a Zappos uma das melhores empresas a se trabalhar, segundo a Fortune.

Adeus métricas

As métricas habituais para avaliar desempenho dos funcionários têm caído por terra por ali também. O foco é no colaborador e em suas habilidades para conquistar as metas estabelecidas em conjunto.

Valores que fogem do comum

Como o foco no colaborador é bastante reforçado, seu bem-estar profissional e pessoal não pode ficar de fora. Para isso, dentre os valores que a Zappos apresenta estão “Criar diversão” e “Construir relacionamentos abertos e honestos com a comunicação”.

Dificuldades na holocracia da Zappos

Tudo novo

CEO da Zappos, Hsieh afirma que muita gente ainda não compreende como a holocracia funciona – principalmente os críticos. Isso acontece porque esse conceito é muito novo.

Compreensão do tempo de processo

Mais do que isso, para Hsieh as pessoas não entendem que o processo de formação desse sistema exige tempo para ocorrer, bem como meses para a compreensão de como operar dentro dele. É uma evolução.

Ideia de anarquia

Outro problema identificado pela empresa é a associação da holocracia com anarquia, quando na verdade querem usar a inovação para acabar com processos burocráticos geridos por hierarquização de cargos.

Adaptação

Quando Tony decidiu fazer a transição de sua empresa para o modelo holocrático, ele ofereceu uma indenização àqueles que diziam não se adaptar ao conceito e desejavam sair da empresa. Resultado: 14% do pessoal (210 funcionários) abandonaram a Zappos.

Quando houve a segunda oferta para que quem não quisesse ficar na empresa se retirasse, mais 50 pessoas pularam fora da empresa.

O renomado site Business Insider entrevistou Hsieh sobre o caso. Ele afirmou que para alguns indivíduos, não ter estrutura de hierarquização é um caos. Só que a ideia da Zappos não é acabar com toda e qualquer estrutura, mas sim escancarar as responsabilidades dos colaboradores mais do que documentos sobre seus papéis e cargos.

Medium

Quando pensamos em compartilhar textos em modelo de blog atualmente, é difícil não lembrar do Medium. Comunidade de leitores e escritores, a empresa com Ev Williams como CEO (co-fundador do Twitter) caiu no gosto do público.

Mais do que isso, estampou a mídia por adotar a holocracia e, depois, revê-la. Afinal, vale a pena mudar radicalmente para este modelo? Confira este case.

Vantagens que a Medium viu na holocracia

Fortalecer vozes

Como o próprio blog da empresa diz, a Medium aspira fortalecer vozes individuais. E, para isso, evita a burocracia que acompanha as estruturas tradicionais de grandes organizações.

Autonomia

A holocracia busca mover as empresas para longe de hierarquias rígidas por meio de uma gestão descentralizada e composição dinâmica.

Diante disso, a Medium se identificou com o fato de que o organograma deste sistema é moldado pela autonomia dos colaboradores, com o trabalho como principal foco.

Confiança em todos os níveis

Como não há gestores, a confiança e responsabilidade de alcançar metas ficam nas mãos de todos. Isso, para os fundadores da Medium, faz com que grandes ideias e perspectivas possam vir de qualquer colaborador.

Múltiplos talentos

Como não há uma linearidade no organograma de uma empresa que opta pela holocracia, os funcionários podem desempenhar vários papéis e explorar suas habilidades.

Por que a Medium abandonou a holocracia

Esforços em larga escala

No sentido mais puro da holocracia, cada círculo tem um objetivo e trabalha de forma autônoma para entregar o melhor resultado.

A Medium percebeu que, apesar da ideia parecer bastante interessante, em iniciativas que abrangem a coordenação entre diversas equipes e funções, o alinhamento de metas e atividades é mais demorado.

Registros claros

À empresa, a holocracia também exige um grande compromisso para registrar cada atividade feita. Assim, todo trabalho feito demanda uma função e cada função, um conjunto de responsabilidades que têm de ser claras a todos.

Apesar de isso denotar transparência, é preciso muito tempo e discussão entre todos os colaboradores.

Percepção pública

A imprensa e as empresas no geral ainda não compreendem a holocracia, o que faz com que as notícias e informações divulgadas sobre as empresas que adotam o modelo sejam bastante rasas.

Recrutamento

Para a Medium, era difícil explicar para candidatos mais experientes que eles não seriam contratados como gestores e qual papel desempenhariam em uma empresa “sem chefes”.

O que a Medium aprendeu com a holocracia e leva à empresa até hoje

#1 Os colaboradores podem instigar mudanças;

#2 A autoridade por hierarquia continua a ser distribuída, mas não de maneira uniforme ou permanente;

#3 O foco é a prestação de contas – e não seu controle;

#4 Tomada de decisão não deve ser baseada em consenso, mas sim em alinhamento de ideias;

#5 O sistema da Medium é adaptável;

#6 Transparência empresarial é tudo e isso é impulsionado pela tecnologia.

Agora que você já abriu o leque sobre holocracia e suas vantagens e desafios… Você aplicaria esse conceito na sua empresa? Conte para nós! =)